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A verdadeira causa das doenças

Qual seria a verdadeira causa das doenças?

O Fator Constitucional, o Terreno e a Energia Vital seriam os fatores primordiais? Ou a patogenicidade do vírus e das bactérias é que determinam seu efeito de destruição?

Dr lucas homeopatia

Dr. Lucas Franco Pacheco

O organismo em equilíbrio

Na homeopatia, nosso trabalho visa fortalecer o organismo, pois consideramos que um indivíduo em desequilíbrio, com sua vitalidade perturbada, se torna suscetível ao adoecimento, portanto, não devemos nos atentar somente ao grau de virulência ou agressividade de um patógeno (bactéria, vírus, etc.) mas, principalmente, buscar a maneira pela qual posso fortalecer um organismo, tornando-o resistente às infecções. Segundo Dr. Samuel Hahnemann:

É impossível que a influência dos agentes mórbidos possa alterar mecanicamente nosso corpo – isto é somente um invento inadmissível e grosseiro das mentes mecânicas.

Dr. Hahnemann destaca que somente as pessoas que raciocinam de forma reducionista, e não holística, consideram que as causas das doenças são externas ao organismo, com capacidade de infectar o indivíduo independente da sua vitalidade e suscetibilidade. Então Hahnemann continua:

As causas produtoras de enfermidades agem através de suas características especiais, no estado de nossas vidas (em nossa saúde), somente de uma maneira dinâmica. Primeiro alteram os órgãos de um nível superior.

Neste parágrafo Dr. Hahnemann deixa claro que a causa das doenças são dinâmicas, ou seja, são decorrentes da perturbação de nossa força vital pelo agente mórbido e, com a força vital em desequilíbrio, primeiro sentimos a doença em nossos sentidos superiores, em nossas sensações, sentimentos ou funções alterados:

Desta alteração dinâmica de todo o ser, deriva uma sensação alterada (mal estar, dores) e uma atividade alterada (funções anormais) de cada órgão e de todos coletivamente.

Neste estado de sensação, sentimento ou função alterados, o organismo já difere do estado de saúde e, portanto, agora se encontra doente.

O verdadeiro tratamento deve ser dirigido contra o todo e realizar a cura da doença geral mediante remédios internos sem a ajuda de medicamento externo. Hahnemann, Organon, § 190 e 191.

Nós médicos homeopatas temos como objetivo atuar reequilibrando a energia vital afetada, tratando o individuo como um todo, pois a sensação ou função localmente alterada é apenas uma parte de toda a doença, portanto o tratamento não deve ser direcionado para a parte, mas sim para a pessoa em sua totalidade:

A afecção local nada mais é do que uma parte da doença geral, transferida para um local (externo) menos perigoso do organismo, a fim de amenizar o padecimento interno. Hahnemann, Organon, § 201.

Continuando neste raciocínio sobre onde devemos atuar para tratar nosso paciente, se é na parte ou no todo do indivíduo, Dr. Julius Bauer (1942) comenta:

Os EUA adquiriram a primazia tanto nas ciências médicas como nas ciências técnicas e biológicas. Entretanto a medicina é mais do que uma ciência exata aplicada e requer uma compreensão da totalidade da personalidade do paciente. Convém não descuidar do seu aspecto artístico, tal como era ensinado na Alemanha, Áustria, França onde os fatores constitucionais endógenos eram valorizados e o interesse pelos exógenos nunca chegou a deslocar totalmente o ponto de vista constitucional na abordagem dos problemas biológicos. Mas nos EUA, onde as escolas médicas modernas se desenvolveram depois de Pasteur, temos evidenciado uma quase absoluta desconsideração do fator constitucional em Medicina.

O fator constitucional, ou seja, o equilíbrio da força vital do indivíduo, é fator primordial para que este se encontre em estado de saúde, sem a suscetibilidade a adoecer.

Segundo o professor de patologia Dr. Maffei, a fisiopatologia das doenças dependem exclusivamente do modo de reação do organismo, ou seja, do fator constitucional:

A fisiopatologia das doenças, que constitui a sintomatologia clínica, depende exclusivamente do modo do organismo reagir e não das causas que a determinaram, nem tampouco da lesão anatomopatológica; o mesmo se verifica em relação à ação dos medicamentos.

Leia também: Homeopatia e Influenza A – H1N1

Dr. Maffei era um profundo conhecedor de fisiopatologia, e seus estudos seguiam na mesma direção das teorias do Dr. Samuel Hahnemann. Prof. Maffei continua:

Esse modo de reagir resulta dos caracteres do genotipo representados pela sua constituição, predisposição ou refratariedade e o metabolismo os quais, por sua vez, realizam a homeostase; esses caracteres representam o terreno biológico, que varia de um indivíduo a outro e até no mesmo indivíduo, conforme a idade, o sexo, o estado de nutrição e as épocas do ano.

É o indivíduo que faz a sua doença, assim com é também o próprio indivíduo que a cura, ou a torna crônica ou, então, determina a morte.

Sobre essa discussão se o fator do adoecimento é o patógeno ou o desequilíbrio constitucional, são célebres os debates travados entre Louis Pasteur e Claude Bernard no final do século XIX.

Pasteur, pioneiro no estudo dos microorganismos, formulou a teoria segundo a qual cada doença possui uma causa única, um vírus ou bactéria que invade o organismo e ali produz um tipo específico de devastação. Para Bernard, a causa estava em elementos ambientais, externos e internos, e a doença não passava de uma perda de equilíbrio do organismo provocada por muitos fatores. Vem daí a noção do corpo como um “terreno” onde os microorganismos podem ou não agir de forma nociva, dependendo das condições que encontram ali.

O que chamamos de doença seria mero sintoma de um mal subjacente e sistêmico, um sinal do esforço do próprio organismo para reequilibrar-se.

Pasteur ganhou a parada. Além de cientista notável, o químico francês era também um polemista habilidoso que soube aproveitar a eclosão de várias epidemias, na época, para demonstrar a lógica de seu conceito de causação específica. A partir daí, todo um modelo biomédico centrado na microbiologia e, mais recentemente, na biologia molecular, deu base aos procedimentos médicos modernos.

No livro O Ponto de Mutação, no qual discute, entre outros temas, o atual modelo médico, o físico americano Fritjof Capra afirma que, mais tarde, Pasteur reconheceu a importância do “terreno” para as enfermidades, tendo ressaltado a influência dos fatores ambientais e dos estados mentais na resistência às infecções. O químico, porém, segundo Capra, não teve tempo para empreender novas pesquisas e seus seguidores persistiram na trilha original.

Portanto, o determinismo biomédico considera a unicausalidade como fator de adoecimento, sendo a bactéria ou vírus os responsáveis primordiais pela doença. No modelo contra-hegemônico se encontra a Homeopatia, em que considera o fator constitucional, a força vital ou terreno do indivíduo, em oposição ao princípio da unicausalidade que  seria uma simplificação arbitrária, determinista, a Homeopatia resgata a autonomia do paciente, em que ele tem uma responsabilidade por sua saúde, de forma a manter em equilíbrio sua energia vital, e assim evitar o adoecimento.

Autor: Dr. Lucas Franco Pacheco, Médico com título de especialista em Homeopatia pela AMHB-AMB.

site: www.doutorlucashomeopatia.com.br

 

 

 



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