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Alergias alimentares, respiratórias e cutâneas e Transtorno do Espectro Autista – TEA

Crianças com alergias alimentares, respiratórias e cutâneas apresentaram probabilidade significativamente maior de ter Transtorno do Espectro Autista – TEA

Artigo publicado em junho de 2018 no Journal of the American Medical Association – JAMA evidenciou associação de alergia alimentar e outras condições alérgicas com o Transtorno do Espectro do Autismo – TEA em Crianças. Leia o artigo completo clicando aqui.

 

Este estudo transversal utilizou dados nacionalmente representativos dos EUA de 199.520 crianças entre 3 e 17 anos que participaram da Pesquisa Nacional de Entrevistas de Saúde de 1997 a 2016. As crianças com alergias alimentares, respiratórias e cutâneas apresentaram probabilidade significativamente maior de ter TEA do que crianças sem estas alergias.

O artigo enfatiza que a prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em crianças norte-americanas aumentou durante as últimas décadas, e que a disfunção imunológica emergiu recentemente como um fator associado ao TEA. (leia mais sobre isso no meu outro post clicando aqui: DISFUNÇÃO IMUNOLÓGICA PODE LEVAR À DOENÇAS COMPORTAMENTAIS COMO AUTISMO E ESQUIZOFRENIA)

Os resultados do artigo evidenciaram que:

  1. Em comparação com crianças sem TEA, as crianças com TEA eram mais propensas a ser meninos e a ter maior nível de escolaridade familiar;
  2. Crianças com TEA, comparadas com aquelas sem TEA, eram mais propensas a ter alergia alimentar, alergia respiratória e alergia cutânea;
  3. A associação persistiu após ajuste para variáveis ​​demográficas, socioeconômicas e outros tipos de condições alérgicas. Além disso, a associação entre alergia alimentar e TEA foi consistente e significativa em todos os subgrupos etários, sexuais e raciais / étnicos;

Abordaram outras pesquisas com resultados surpreendentes envolvendo imunologia e alteração de comportamento como o Transtorno do Espectro Autista:

De fato, estudos imunológicos descobriram que IgA, IgG, IgM e IgE total estavam aumentados em crianças com TEA (1) e desequilíbrio em subconjuntos de células T (baixo número de células T  1 e interferon-γ positivas para IL-2) (2). Estudos prévios mostraram níveis aumentados de citocinas pró-inflamatórias nos cérebros post-mortem de pacientes com TEA, e o aumento da produção de autoanticorpos também foi observado (3. 45. 6. 7. 8). É possível que os distúrbios imunológicos possam ter processos iniciados precocemente, que influenciam o desenvolvimento cerebral e o funcionamento social, levando ao desenvolvimento de TEA. Além disso, também pode haver fatores de risco genéticos e não genéticos compartilhados que influenciam tanto a alergia quanto o TEA.”

E também:

“Embora os mecanismos subjacentes para a associação observada entre alergia alimentar e ASD permaneçam para ser elucidados, o eixo do cérebro-comportamento intestinal pode ser um dos mecanismos potenciais. Estudos anteriores encontraram maior prevalência de sintomas gastrointestinais entre crianças com TEA (9. 10 .11). Além disso, pais de crianças autistas relataram com mais frequência que seus filhos tinham alergias alimentares (12. 13). A alergia alimentar pode envolver alterações no microbiota intestinal (14), ativação alérgica imunológica e função cerebral prejudicada por meio de interações neuroimunes, que podem finalmente afetar o sistema nervoso entérico e o sistema nervoso central, levando a anormalidades do neurodesenvolvimento (15).

Algumas das referências citadas pelos autores:

  1. Lucarelli S, Frediani T, Zingoni AM, et al. Food allergy and infantile autism.Panminerva Med. 1995;37(3):137-141.
  2. Gupta S, Aggarwal S, Rashanravan B, Lee T. Th1- and Th2-like cytokines in CD4+ and CD8+ T cells in autism.J Neuroimmunol. 1998;85(1):106-109
  3. Onore C, Careaga M, Ashwood P. The role of immune dysfunction in the pathophysiology of autism.Brain BehavImmun. 2012;26(3):383-392.
  4. Malik M, Sheikh AM, Wen G, Spivack W, Brown WT, Li X. Expression of inflammatory cytokines, Bcl2 andcathepsin D are altered in lymphoblasts of autistic subjects.Immunobiology. 2011;216(1-2):80-85.
  5. Wei H, Zou H, Sheikh AM, et al. IL-6 is increased in the cerebellum of autistic brain and alters neural celladhesion, migration and synaptic formation.J Neuroinflammation. 2011;8:52.
  6. Vargas DL, Nascimbene C, Krishnan C, Zimmerman AW, Pardo CA. Neuroglial activation andneuroinflammation in the brain of patients with autism.Ann Neurol. 2005;57(1):67-81
  7. Young AM, Campbell E, Lynch S, Suckling J, Powis SJ. Aberrant NF-kappaB expression in autism spectrumcondition: a mechanism for neuroinflammation.Front Psychiatry. 2011;2:27
  8.  Gottfried C, Bambini-Junior V, Francis F, Riesgo R, Savino W. The impact of neuroimmune alterations in autismspectrum disorder.Front Psychiatry. 2015;6:121.
  9. e Magistris L, Familiari V, Pascotto A, et al. Alterations of the intestinal barrier in patients with autismspectrum disorders and in their first-degree relatives.J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2010;51(4):418-424
  10. Ashwood P, Anthony A, Pellicer AA, Torrente F, Walker-Smith JA, Wakefield AJ. Intestinal lymphocytepopulations in children with regressive autism: evidence for extensive mucosal immunopathology.J Clin Immunol.2003;23(6):504-517
  11. Louis P. Does the human gut microbiota contribute to the etiology of autism spectrum disorders?Dig Dis Sci.2012;57(8):1987-1989
  12. Gurney JG, McPheeters ML, Davis MM. Parental report of health conditions and health care use amongchildren with and without autism: National Survey of Children’s Health.Arch Pediatr Adolesc Med. 2006;160(8):825-830
  13. Chandler S, Carcani-Rathwell I, Charman T, et al. Parent-reported gastro-intestinal symptoms in children withautism spectrum disorders.J Autism Dev Disord. 2013;43(12):2737-2747
  14.  Rachid R, Chatila TA. The role of the gut microbiota in food allergy.Curr Opin Pediatr. 2016;28(6):748-753.
  15. de Theije CG, Bavelaar BM, Lopes da Silva S, et al. Food allergy and food-based therapies inneurodevelopmental disorders.Pediatr Allergy Immunol. 2014;25(3):218-226
Dr lucas homeopatia

Prof. Dr. Lucas Franco Pacheco – Médico especialista em Homeopatia pela AMHB – AMB, Professor da Faculdade de Medicina de Pouso Alegre – UNIVAS.
Diretor da Associação Paulista de Homeopatia – APH – triênio 2018-2020.



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