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Anticoncepcional hormonal: riscos e benefícios

A pílula anticoncepcional não é uma intervenção médica inócua. O médico deve acolher as opiniões das mulheres e ajudar na escolha, dando explicações científicas e esclarecimentos sobre os riscos e os benefícios de cada método.

 

Pílula e DIU hormonal podem aumentar em 20% a incidência de câncer de mama

A pesquisa publicada em 06 de dezembro de 2017 no respeitado periódico “The New England Journal of Medicine”, causou um grande impacto, evidenciando que mulheres que utilizam pílula ou DIU que liberam hormônios estão sujeitas ao aumento em 20% na probabilidade de ter câncer de mama. Este estudo teve participação de 1,8 milhões de mulheres na Dinamarca.

Os anticoncepcionais mais antigos eram conhecidos por ter um maior risco de câncer de mama, mas os médicos esperavam que as novas formulações de estrogênio com dosagens inferiores pudessem representar um risco menor.

As novas descobertas, relatadas no The New England Journal of Medicine, mostram que não, e quanto mais tempo os produtos foram usados, maior o perigo.

O aumento de 20% no risco de câncer de mama variou de acordo com a idade e por quanto tempo as mulheres usaram anticoncepcionais baseados em hormônios, incluindo pílulas, anéis vaginais, implantes de progestágenos e injeções.

O risco de câncer de mama foi 9% maior com menos de um ano de uso de pílula e 38% maior com mais de 10 anos de uso.

 

A Pílula Anticoncepcional

No ano de 1928 o hormônio progesterona foi isolado pela primeira vez o a partir de uma planta, o inhame mexicano.

Testado em coelhas, seu uso provou impedir a ovulação e logo essa pesquisa se expandiu com sucesso. A primeira pílula anticoncepcional foi desenvolvida na década de 1960 e era então composta apenas de progesterona: a Noretindrona ou Enovid 10. Foi recebida como um verdadeiro bálsamo para as mulheres, especialmente as feministas, que ansiavam pelo controle de sua fertilidade. A pílula anticoncepcional marcou a revolução sexual. Transformou o mundo. Foi o período em que as mulheres estavam entrando com tudo no mercado de trabalho e era fundamental essa possibilidade de conciliar carreira e filhos. A partir daí tudo mudou!

Desde então, a indústria farmacêutica percebeu a mina de ouro que é pílula anticoncepcional, e intencionalmente trabalhou para massificar seu uso e aumentar o leque de situações em que poderia ser empregada: não somente para a anticoncepção, mas procurando abranger também todos os outros transtornos femininos, desde medicalizar a TPM com pílulas hormonais, englobando quadros de Síndrome do Ovário Policístico (SOP) chegando até ser prescrito para acne e cólica menstrual. Estava, então, pronto todo um mercado lucrativo para ser explorado pela indústria farmacêutica.

Como funciona a contracepção hormonal

Hoje em dia, a pílula mais utilizada é a combinada.  É feita da junção de um estrogênio sintético, o etinilestradiol, com uma progesterona sintética, que podem ser várias: levonorgestrel, gestodeno, ciproterona, desogestrel, etc.  As pílulas só de progesterona ainda existem e costumam ser prescritas para casos mais específicos como nas mulheres que estão amamentando.

Para funcionarem como anticoncepcional, as pílulas precisam ser ingeridas diariamente e, com isso, elas mantém um nível hormonal constante no organismo, impedindo as variações características do ciclo. São essas variações que num estado natural levariam à ovulação e, portanto, quando essas variações hormonais são inibidas, a ovulação não ocorre e a mulher não engravida.

 

A medicalização da vida

Em tempos de domínio dos planos de saúde e consultas que duram em média dez minutos, prescrevem-se pílulas anticoncepcionais para meninas de 13-14 anos antes mesmo de iniciarem sua vida sexual por “menstruação irregular” (essa irregularidade no ciclo menstrual nos primeiros anos após a primeira menstruação é algo totalmente normal). Para muitos médicos ginecologistas, se tornou uma solução rápida para boa parte das queixas que levam as mulheres aos seus consultórios. Anticoncepcionais são prescritos para quase todos os distúrbios ginecológicos: se a mulher menstrua demais, se menstrua de menos, se tem cólicas, se tem TPM, cisto no ovário, miomas, até mesmo para acne. Desta forma, ao invés de realizar uma consulta demorada, onde a investigação diagnóstica alcançaria os mínimos detalhes, abordando e tratando a pessoa como um todo, buscando a causa real da disfunção ou enfermidade, infelizmente para uma parcela dos médicos é mais simples, rápido e cômodo, substituir cuidados e orientações por comprimidos: as famosas pílulas anticoncepcionais.

Benefícios e Danos

Algumas mulheres podem se beneficiar da utilização de pílulas ou outros métodos hormonais de contracepção. O problema consiste na universalização do uso, esta forma generalizada de prescrição pode trazer mais danos do que benefícios à saúde global da mulher. Seu uso indiscriminado, principalmente em problemas ginecológicos leves, por exemplo, para tratar ciclos irregulares ou TPM, tem seu benefício questionável, principalmente por não se tratar de uma medicação inócua, seu uso deveria ser restrito e criterioso.

Outro problema consiste na contracepção hormonal ser apresentada pelo médico como sendo a única opção.  É direito das mulheres saberem que existem outras alternativas e saberem dos riscos e benefícios de cada uma. É importante que essa escolha seja da mulher, quem vai realmente conviver com o método e suas consequências, e que essa escolha seja consciente.

Os anticoncepcionais hormonais aumentam a chance da mulher ter trombose, AVE, embolia pulmonar e infarto. A pílula modifica o sistema de coagulação e pode aumentar em 5 vezes a tendencia à coagulação sanguínea. Além disso, as pílulas anticoncepcionais podem alterar a disposição (as pacientes geralmente se queixam de fraqueza, indisposição para atividade física, fadiga), pode causar depressão, hipertensão arterial e, com grande prevalência, diminuição da libido (mesmo em mulheres jovens).

No caso da diminuição da libido causado pela pílula, o problema é tão comum que  muitas mulheres passam anos achando que a vida é assim, ou que ela é assim mesmo, ou que não sente mais vontade de ter relações sexuais pois acha que está há muito tempo com o companheiro ou acha que é por estar cansada do marido, e só notam o brilho que estava apagado quando param de tomar. Sem contar a sensação de inchaço do corpo, aumento do peso, queda de cabelos, dor de cabeça e as enxaquecas que muitas relatam e que melhoram após parar de tomar a pílula anticoncepcional.

 

Outros efeitos adversos encontrados e que estão citados na bula:

Risco aumentado para desenvolver câncer de colo do útero, pancreatite, hipertensão arterial, angioedema. Distúrbios gastrointestinais, distúrbios imunológicos, alterações de peso, retenção de líquido, distúrbios no sistema nervoso e distúrbios psiquiátricos, cefaléia e enxaqueca, alterações no humor e na libido, alterações nas mamas, distúrbios cutâneos, alterações hepáticas (hormônios sintéticos podem ser hepatotóxicos), metabólicas, lipídicas (aumentam o colesterol e triglicérides).

Na minha prática clínica, os principais problemas encontrados decorrentes da pílula anticoncepcionais são alteração do humor e diminuição da libido. Seguida pelas dores de cabeça, enjoos e alterações de ganho de peso.

“Outras condições clínicas que também têm sido associadas aos eventos adversos circulatórios são: diabetes melitus, Síndrome dos Ovários Policísticos, lupus eritematoso sistêmico, síndrome hemolítico-urêmica, patologia intestinal inflamatória crônica (doença de Crohn ou colite ulcerativa) e anemia falciforme.” (Trecho extraído da bula do Diane 35)

Paradoxalmente, Diane 35 é um dos medicamentos prescritos para Síndrome dos Ovários Policísticos.

 

Feminilidade

A pílula anticoncepcional, de forma geral, suprime a feminilidade. A mulher, em sua naturalidade, é cíclica. Seu ciclo dura em média 28 dias (correspondente ao ciclo lunar), seus níveis hormonais variam dia após o outro (diferente do homem que tem quantidades constantes desde a puberdade até a andropausa). A mulher que toma pílula deixa de desenvolver o autoconhecimento devido ao nível constante dos hormônios artificiais.

Uma vida feminina sem hormônios sintéticos proporciona um empoderamento da mulher e um ganho de autoconhecimento progressivo, que melhora a qualidade de vida da mulher.

No meu consultório, as mulheres que trocam o método hormonal por outro não hormonal, e abandonam a pílula ou o DIU hormonal, de forma geral relatam melhora da disposição, se sentem melhores no estado geral, melhora a libido, voltam a ter ânimo para atividade física (devido ao retorno de níveis normais de testosterona no organismo).

 

Diafragma – método contraceptivo de barreira.

Métodos contraceptivos não-hormonias

Se você decidir por parar a anticoncepção hormonal e substituir por outro método, procure seu médico para uma orientação individualizada.

De forma geral, temos à disposição os métodos de barreira (camisinha e diafragma), sendo que a camisinha é o único método que previne contra doenças sexualmente transmissíveis e, se tratando de saúde pública, ela é indispensável. Existe também o DIU de cobre, a laqueadura tubária, a vasectomia, e os métodos observacionais (autopercepção da fertilidade com aferição da temperatura corporal basal, muco vaginal, altura e consistência do colo uterino, etc.).

O DIU de cobre e a camisinha são os métodos não hormonais mais utilizados, mas costumo incentivar o uso do diafragma, que é prático, eficaz, atestado pela Organização Mundial da Saúde, é reutilizável após ser higienizado e tem a duração de 3 anos, não tem efeitos colaterais, preserva o contato com a pele (queixa de alguns com relação à camisinha), ele é prescrito sob medida e exige a avaliação de um ginecologista.

 

Homeopatia e afecções ginecológicas

Em várias afecções clínicas e ginecológicas em que geralmente são prescritos medicamentos hormonais para as mulheres, como na acne, ciclos irregulares, fluxo menstrual excessivo, cólicas abdominais, entre outros, a homeopatia pode ser útil e contribuir para se chegar na causa real do problema e, de forma natural, restabelecer o equilíbrio do organismo e se chegar a cura. Cada caso é avaliado de forma individualizada pelo médico capacitado.

A massificação da prescrição da pílula hormonal, por meio da indústria farmacêutica, fez com que médicos passassem a recorrer a ela para resolver todos os distúrbios que cursassem com alterações menstruais, independente de sua natureza, tratando em muitos casos o efeito e não a causa, ou seja, um mascaramento do sintoma, e não a cura.

Cada uma das patologias que envolvem o universo ginecológico feminino e hormonal são de causas complexas e sempre multifatorial. Tratá-las todas da mesma forma é simplório, mecanicista.

Todas estas afecções envolvem metabolismo individual, modulação hormonal, genética, alimentação, comportamento, hábitos de vida, história pessoal, emoções e a relação de cada mulher com seu corpo, sua saúde e sua doença. E é desta maneira que o médico homeopata realiza a abordagem da mulher durante a consulta.

Da mesma forma, a resposta para cada tratamento também será diferente para cada doença e para cada paciente. O uso de hormônios sintéticos é uma opção sim, tem seus prós e contras e algumas mulheres podem se beneficiar deles. Mas esta não é a única alternativa e sua prescrição não deve ser feita de forma generalizada como habitualmente tem se observado.

Utilizando os recursos que a homeopatia pode oferecer, com as condutas da medicina convencional de forma consciente e científica, se obtém uma sinergia em que o maior beneficiado é o paciente. As pílulas hormonais utilizadas de forma cautelosa, criteriosa e individualizada podem trazer benefícios, caso contrário, se prescritas de forma generalizadas, os danos podem prevalecer e com isso piorar a saúde global da mulher.

Dr lucas homeopatia

Prof. Dr. Lucas Franco Pacheco – Médico especialista em Homeopatia pela AMHB – AMB, Professor da Faculdade de Medicina de Pouso Alegre – UNIVAS.

 

 



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