Fale Comigo

Blog Listing

Descoberto método para detectar potências homeopáticas

Dr lucas homeopatia

Prof. Dr. Lucas Franco Pacheco – Médico especialista em Homeopatia pela AMHB – AMB.

Steven Cartwhright é entrevistado por Alan Schmukler, editor da revista eletrônica Hpathy4everyone a respeito de sua pesquisa e perspectivas na homeopatia.
A descoberta: solventes solvatocrômicos (Solvatocromismo: é a habilidade de uma substância química mudar de cor devido à polaridade do solvente) podem detectar as potências do remédio homeopático.

ESTEVEN CARTWHRIGHT detém um PhD em biologia molecular da Universidade de Edinburg e foi treinado em homeopatia no College of Homeopathy, de London e na School of Homeopathy, de Devon e a tem praticado por vinte anos. Desde 2009 tem realizado pesquisas em remédios homeopáticos no Cherwell Innovation Centre, em Oxfordshire. Recentemente, descobriu que corantes solvatocrômicos mostram mudanças em seu espectro na presença de potências homeopáticas.

ESTEVEN CARTWHRIGHT - PhD em biologia molecular pela Universidade de Edinburg

ESTEVEN CARTWHRIGHT – PhD em biologia molecular pela Universidade de Edinburg

Alan: A homeopatia continua sendo atacada como ‘apenas placebo’ por muitos na comunidade médica, a despeito de maciços sucessos clínicos. Muitas pessoas, incluindo médicos, não são cientistas nem físicos. Por isso, há tempo venho pensando que a homeopatia necessita de alguma demonstração gráfica de que os remédios são diferentes de apenas água. Em sua pesquisa, parece que você providenciou isso. Pode nos dizer o que descobriu e qual o impacto que isso teria?

Stefen: Sempre achei que se pudéssemos entender a natureza físico/química dos remédios homeopáticos, inevitavelmente, isso nos conduziria ao entendimento de como funciona a homeopatia. As duas questões ‘o que são os remédios?’ e ‘de que forma os remédios conseguem seus efeitos clínicos?’ – para mim, são perguntas idênticas. Portanto, creio que minha pesquisa na interação de potências com os corantes solvatocrômicos podem, no devido tempo, não apenas responder perguntas fundamentais da homeopatia, assim como levar a significativos avanços no modo de praticá-la. Não tenho dúvidas de que temos de sair da defensiva ao tentar demonstrar que ela atua.

Todos que praticam a homeopatia sabem que ela funciona, contudo, os críticos nunca estão satisfeitos com a evidência clínica e na ausência de hipóteses testáveis. Temos de mudar nosso foco e esforçar no entendimento de como ela atua.

O benefício potencial dessa abordagem seria enorme. Não apenas em termos de maior confiança e consistência na prática médica, assim como conseguir avanços em como os remédios são manipulados e estocados, por exemplo.

Em resumo: nunca procurei somente demonstrar que os remédios diferem da água pura, mas saber em que medida são diferentes.

Em termos da própria pesquisa, parece que as  potências interagem com um tipo especial de corante chamado solvatocrômico (CS). De lado a química envolvida, parece que o fato desses corantes possuírem um elétron oscilante em sua estrutura é o que lhes permite essa interação com as potências. As implicações dessa descoberta: as próprias potências podem, de alguma forma, ser eletromagnéticas. Claro que isso não é uma sugestão, mas em havendo um sistema químico que demonstre esse  potencial, permite serem feitas muitas outras perguntas do que me parecia possível anteriormente.

artigo-salvatocromico

Alan: Portanto, essa interação entre CS e potências seria uma útil ferramenta de teste, além de conter pistas para questões mais profundas em homeopatia. Antes de abordar essas questões, esclarecer o uso de corantes como indicadores: Poderiam eles verificar quando um remédio foi neutralizado e, também, quais as influências ambientais que afetam os remédios, por exemplo, o calor? (qual temperatura?); a luz solar, campos eletromagnéticos, substâncias voláteis…? Saberíamos se um conteúdo de vidro reteriam a frequência do remédio após ser lavado? O quanto seria acessível esse método para quem faz pesquisa em homeopatia? Até o momento, são necessários equipamentos eletrônicos dispendiosos para se detectar potências.

Stefen: Certamente, espero que a presente pesquisa permitirá uma extensa gama de questões a serem colocadas sobre a estabilidade dos remédios homeopáticos. No momento, suspeitam-se que vários agentes possam ser deletérios às potências, porém a maioria dessas informações são palpites  ou suposições. Simplesmente não sabemos se campos elétricos ou magnéticos, raios-X, substâncias voláteis e outras possam afetar as potências e, nesse caso, em que medida.

Cânfora, por exemplo: considerando o que Hahnemann escreveu em sua MM Pura, ela seria o antídoto da maioria dos remédios. Isso é totalmente diferente de afirmar que cânfora inativaria os próprios remédios. A ideia de que substâncias voláteis neutralizariam potências, creio que surgiu com os escritos de Phyllis Speight, há 150 anos e, de alguma forma, essa ideia teria permeado a consciência homeopática. Pessoalmente, não vejo razão pela qual cânfora ou qualquer outro volátil afetaria os remédios homeopáticos e que somente um vigoroso método para detectar potências esclareciam essa questão da estabilidade.

De várias formas, saber quais agentes neutralizariam potências é essencial na execução de pesquisas detalhadas em homeopatia, assim como contaminação cruzada é uma constante preocupação. É necessário saber se uma solução é, definitivamente, uma solução controle, ou, reciprocamente, se uma potência em solução seja significativa para todos os resultados. Além disso, saber quais agentes seriam deletérios proporcionará pistas significativas em relação à identidade das potências. Vejo como dos mais importantes aspectos dessa pesquisa, estabelecer de modo inequívoco como os remédios podem ser estocados seguramente e, reciprocamente, de que modo podem ser efetivamente neutralizados.

Resta ainda, como você lembrou, a questão intrigante se restaria potência em frascos de vidro quando todo o solvente tenha evaporado.  Uma questão próxima, que tipo de agentes podem atuar como portadores das potências? Somente água/etanol ou outros solventes ou até mesmo outras substâncias? É esse tipo de questões que espero que o sistema baseado no uso dos CS possam responder no devido tempo.

A pesquisa atual enfatiza o contínuo desenvolvimento do sistema dos solventes solvatocrômicos, que é robusto, confiável e simples o suficiente para ser acessível para que qualquer um possa produzir trabalho fundamental em homeopatia. Esta sempre foi minha visão: na pesquisa homeopática precisamos começar andando antes de correr. Só então, poderemos começar a  considerar — e responder —  questões mais complexas.

Alan: Você tem dito que homeopatia não é combinação de sintomas, mas antes a combinação do significado e que a totalidade do caso é a significação. Poderia nos explicar isso?

Stefen: Acho que falei disso num artigo que escrevi logo após retornar das florestas do Peru, há alguns anos e continuo com a mesma visão. Usarei a palavra contexto como um termo mais específico. Para mim, a grande diferença entre a principal corrente da medicina e a homeopatia é suas respectivas visões do contexto de doença. Médicos ortodoxos não vêm a doença no contexto. A doença é alguma coisa que está ali e que negligentemente nos ataca, fazendo de nós vítimas. Isso pode ser percebido na linguagem médica: ‘a luta contra o câncer’, ‘a batalha por antibióticos seguros contra espécies de bactérias resistentes’, ‘a luta contra o Alzheimer’, ‘erradicamos a varíola’ etc. Obviamente, várias condições foram removidas da lista em que eram comuns em prévias gerações, mas a que custo! Novas doenças tomaram os seus lugares e, com frequência, mais insidiosas e mais crônicas do que aquelas ‘conquistadas’.

Nesse aspecto, a homeopatia difere fundamentalmente e no qual a homeopatia percebe cada doença num contexto — o da pessoa como um todo: na dinâmica familiar, no grupo social mais amplo e, o mais importante, no contexto de sua história de vida até o presente. Contexto significa que uma doença é parte de algo maior. Portanto, é preciso entender aquele quadro maior e não empurrar a doença e lutar contra ela, como se não tivesse nada a ver com a gente; compreender por que  ficamos doentes aqui e agora. Esta é uma abordagem fortalecedora porque nos leva a ver que somos parte de um processo, o processo do adoecer. A  doença não é um evento externo. Essa é a visão médica comum e, na verdade, empobrecedora. Somos parte de um processo doentio que pode ter avançando por muitos anos e que só agora vem à tona. Em contrapartida, fazemos parte do processo de cura.

A homeopatia assume essa visão e os remédios são dados baseados em conceito/significado da doença. O todo é acudido, no sentido de tratar o processo que nos conduziu à presente situação. Em minha visão este é o verdadeiro caminho holístico e, afinal, a única abordagem viável à doença.

O óbvio é que, quanto mais cedo atuarmos no processo do adoecer, melhor. Ao compreender como chegamos à doença atual, o processo inverso pode ocorrer com calma. Infelizmente, contudo,  vem o medo e entregamos a responsabilidade de nossa situação atual a outro alguém — é nesse ponto que entra a medicina ortodoxa.

Acho que medicina é um dos assuntos mais carregados de emoção e uma das maiores dificuldades existentes é fazer uma discussão objetiva a respeito.

Espero ter respondido sua pergunta e, ao fazê-lo, tentei destacar alguns pontos importantes que precisam ser discutidos, caso  em que nossa noção de abordagem à doença seria para para melhor.

Alan: Você encontrou algo como a pedra de Roseta nos solventes somatocrômicos e nos quais existe um imenso potencial. Obrigado por compartilhar conosco e por sua importante pesquisa.

Autor: Dr. Lucas Franco Pacheco, Médico com título de especialista em Homeopatia pela AMHB-AMB.

site: www.doutorlucashomeopatia.com.br



Deixe um comentário