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O mito do colesterol

 

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Prof. Dr. Lucas Franco Pacheco, Médico com título de especialista em Homeopatia pela AMHB-AMB

Seria o colesterol realmente o vilão causador das doenças cardiovasculares?

Nas últimas 5 décadas, a gordura e o colesterol tem sido os vilões da doença cardíaca. Uma indústria multibilionária atiçou nossa fobia à gordura e ao colesterol, e influenciou dramaticamente nossa dieta. Isto não é ciência, isto é marketing. Seria o colesterol o maior mito de toda a história da medicina?

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Nesta publicação de 12/09/2016 no The Journal of American Medical Association – JAMA, os autores fizeram uma análise histórica de documentos e demonstraram que a indústria do açúcar comprou cientistas e forneceu guidelines enviesados durante décadas. Descobriram que pesquisadores de Harvard receberam grandes quantias de dinheiro para minimizar o papel dos açúcares como causadores das doenças cardíacas.

Um destes pesquisadores de Harvard que eram financiados, se tornou chefe de nutrição do Departamento de Agricultura, onde preparou o palco para os Guidelines dietéticos atuais do Governo Federal dos Estados Unidos, seu nome era Ancel Keys.

Ancel Keys Comparou as taxas de doenças cardíacas e o consumo de gordura entre 6 países:

Ancel Keys

Demonstrou uma correlação quase perfeita: quanto mais gordura as pessoas comiam, mais doença cardíaca elas tinham. Exceto por um problema: Keys omitiu dados de outros 16 países:

Ancel Keys

Mais tarde, quando outros pesquisadores plotaram os dados dos 22 países, a correlação já não era perfeita. Ele pinçou os países que lhe interessavam. Poderia ser mostrado o oposto: quanto mais gordura saturada as pessoas comessem, menos doença cardíaca elas teriam:

Ancel Keys

Segundo os autores do Artigo publicado na JAMA, os pesquisadores corrompidos enviesaram com sucesso a literatura científica e ajudaram a transferir a culpa das doenças coronarianas do açúcar para às gorduras, por quase 5 décadas.

A dieta com baixo consumo de gordura e rica em carboidrato e açúcar foi incentivada pelos especialistas da área saúde. Porém, segundo a pesquisa,  as evidências demonstram ser esta dieta a principal causa da epidemia de obesidade da atualidade.

Neste artigo, ficou evidenciado que a indústria do açúcar patrocinou seu primeiro projeto de pesquisa em 1965 para minimizar os sinais de alerta de que a sacarose era um fator de risco para doença coronariana, e as consequências deste fato reverberam até os dias de hoje.

Am Heart J 2009 Jan

Am Heart J 2009 Jan

Em janeiro de 2009 o jornal “American Heart Journal” publicou um estudo impactante: evidenciou que o colesterol como causa de doenças cardiovasculares é um mito. Clique aqui para ler o artigo.

Neste artigo denominado “Lipid levels in patients hospitalized with coronary artery disease: an analysis of 136,905 hospitalizations in Get With The Guidelines”, entre o anos de 2000 e 2006 foram recolhidos dados do perfil lipídico, ou seja, os valores do colesterol coletados no sangue dos doentes admitidos com emergências cardiovasculares. o estudo foi realizado em 541 hospitais dos EUA. Foram admitidos 231.906 doentes, dos quais o perfil lipídico foi recolhido em 136.905 (59%).

O impactante e espantoso dos números foi que desses 136.905 doentes, 75% tinham o colesterol dentro dos limites normais, incluindo o colesterol LDL ( considerado o colesterol ruim). Com isso, surgiu o questionamento se o colesterol é realmente a causa das doenças cardiovasculares.

J Am Heart Assoc. 2013

J Am Heart Assoc. 2013

Outro artigo publicado em março de 2013 pelo “American Heart Association”, com o título Hemoglobin a1c is associated with increased risk of incident coronary heart disease among apparently healthy, nondiabetic men and women”, (Clique aqui para ler o artigo), evidenciou que a hemoglobina glicada (HbA1c) constitui um risco para doenças cardiovasculares, mesmo em indivíduos não diabéticos, sendo o ideal manter o nível de HBA1c abaixo de 5,5%. Segundo o estudo, níveis de HbA1c acima de 5,6% aumentariam o risco cardiovascular.

Diabetologia. 2015 - METSIM

Diabetologia. 2015 – METSIM

O estudo METSIM, publicado em 2015 na revista de diabetologia com o título “Increased risk of diabetes with statin treatment is associated with impaired insulin sensitivity and insulin secretion: a 6 year follow-up study of the METSIM cohort”, com total de 8.749 participantes, com idade entre 45 e 73 anos, destes,  2.142 estavam em uso de estatinas, foram acompanhados por 6 anos. A conclusão do estudo foi que os participantes sob tratamento com estatinas (n=2.142) tiveram um aumento de 46% no risco de diabetes tipo 2. O risco foi dependente da dose de sinvastatina e atorvastatina usadas. O tratamento com estatinas aumentou significativamente a glicemia pós-prandial e o TOTG durante o tempo da concentração do fármaco no plasma, com um aumento significativo na glicemia de jejum (FPG). A sensibilidade à insulina foi reduzida em 24% e a secreção deinsulina em 12% em indivíduos em tratamento com estatinas, em comparação com indivíduos sem tratamento com estatina (p<0,01). A diminuição na sensibilidade à insulina e na secreção de insulina foi dependente da dose de sinvastatina e atorvastatina usadas. Clique aqui para ler o artigo.

Além disso, em Março de 2012 a Agência Europeia do Medicamentos (EMA) reconheceu a gravidade do efeito diabetogênico das estatinas e recomendou aos laboratórios que os seus efeitos secundários passassem a ser claramente anotados nas normas de utilização, norma que nem sempre é cumprida.

Leia também: Homeopatia: A grande revolução terapêutica

Expert Rev Clin Pharmacol. 2015

Expert Rev Clin Pharmacol. 2015

Na pesquisa “Statins stimulate atherosclerosis and heart failure: pharmacological mechanisms”, publicada na revista Expert Review of Clinical Pharmacology, em março de 2015, evidênciou que as estatinas pioram também a saúde cardíaca, além de não serem seguras nem eficazes. Este estudo revelou que estas drogas podem estimular a arteriosclerose e a insuficiência cardíaca.

Alguns mecanismos fisiológicos discutidos neste estudo mostraram que as estatinas podem piorar a saúde do coração de várias formas: Inibindo a função da vitamina K2, necessária para proteger as artérias da calcificação; Danificando a mitocôndria, prejudicando a produção de ATP (responsável pela energia do músculo cardíaco); interferindo com a produção de CoQ10; causa o mesmo com proteínas contendo selénium, tais como a glutationa peroxidase, cruciais para prevenir o dano oxidativo do tecido muscular. Considerando todos estes riscos, os autores concluíram que “as epidemias da insuficiência cardíaca e arteriosclerose, pragas do mundo moderno, podem ser paradoxalmente agravadas pelo uso difuso de estatinas. Nós propomos que os correntes manuais de tratamento com estatinas sejam criticamente reavaliados”. Clique aqui para ler o artigo.

jama 2003 Apr

jama 2003 Apr

Além disso, as estatinas estão relacionadas à rabdomiólise que podem levar à morte (0,15 casos de morte a cada 1.000.000) e de 5% de casos de miopatia. O FDA MedWatch Reporting System avaliou 3339 casos de rabdomiólise relacionada ao uso de estatina num período de 12 anos, a cerivastatina foi a estatina mais implicada com esta situação: a cerivastatina (Baycol), foi voluntariamente retirado do mercado em 2001, porque foi associado a várias ocorrências de rabdomiólise e consequente evento fatal por insuficiência renal aguda. (Clique aqui para ler o artigo).

Evidências recentes não identificaram  benefícios na utilização de estatinas em prevenção primária em grupo de alto risco cardiovascular. Na metanálise “statins and all-cause mortallity in highr risk primary prevention”, de 2010, envolvendo mais de 65 mil pacientes, não houve benefício para o uso de estatinas como prevenção em pacientes que não tinham doença cardiovascular estabelecida ou lesão do órgão-alvo mesmo estando em grupo de alto risco cardiovascular:

Estatina

Sabe-se que aquilo a que se chama “placa” ateromatosa, que reduz o diâmetro das artérias, é principalmente constituída por células compostas pelo tecido muscular liso das artérias (proliferando anormalmente), macrófagos, cálcio, ferro e colesterol, sendo este último minoritário, funcionando como um curativo reparador do desgaste provocado pela inflamação da parede das artérias, esta sim, a inflamação oxidativa crônica da parede arterial seria a mais responsável pela formação da placa ateromatosa e da consequente arteriosclerose. Daí a importância do seu biomarcador – a PCR (Proteína C Reativa) – estar abaixo de 0,5 (medidor da inflamação).

Portanto, o aumento do nível do colesterol seria apenas o resultado de um organismo perturbado, em desequilíbrio, e atuar tentando baixar o colesterol seria um equívoco, pois estaria atuando no resultado, e não na causa. Portanto, se as taxas estiverem elevadas, tal deverá ser sempre considerado como um problema essencialmente de estilo de vida, que se corrigirá, prioritariamente, modificando o comportamento e a alimentação.

As únicas pessoas que, comprovadamente, podem tirar proveito das estatinas, são as que sofrem de hipercolesterolemia familiar, ou as que após um complexo raciocínio clínico levando em conta o  Escore de Risco de Framingham e a V Diretriz Brasileira de Dislipidemia e Prevenção da Aterosclerose  (Clique aqui para ler a Diretriz) e, principalmente, para os pacientes que tiveram evento cardiovascular prévio ( IAM ou AVE) ou apresentam angina.

Dr. Jonny Bowden - PhD.

Dr. Jonny Bowden – PhD.

“Quando você olha para os dados, fica tudo muito claro: TUDO o que nos foi dito sobre o colesterol e gordura saturada não passa de uma mentira deslavada. Simplesmente não é verdade. Se você olhar a ciência sobre a qual as diretrizes dietéticas foram de fato baseadas, os estudos originais foram tão mal feitos, tão cheios de viés de confirmação, que sequer seriam aceitos nos dias de hoje. E, infelizmente, a maior parte dos médicos não sabem disso.” Dr. Jonny Bowden – PhD

Dr. Ernest Curtis

Dr. Ernest Curtis – Médico Cardiologista

“Durante a faculdade de medicina eu aprendi o mesmo que todo mundo, a importância do colesterol, etc, e eu não via nenhum motivo para dúvidas. Mas quando eu me tornei cardiologista, eu via pessoas com ataques do coração com colesterol em todos os níveis: altos, baixos, médios, não parecia fazer diferença. No início eu pensei: Bem, isso são apenas probabilidades, sempre haverão exceções. Mas resulta que, um tempo depois, eu comecei a ver exceções de mais. E isso me motivou a voltar aos livros e buscar as origens destas teorias. E, francamente, dado o grau de certeza com que eram ensinadas, fiquei surpreso ao descobrir o quão pobre a evidencia era. A evidência era virtualmente inexistente.” Dr. Ernest Curtis – Médico Cardiologista

Dr. Stephen Sinatra - Médico Cardiologista

Dr. Stephen Sinatra – Médico Cardiologista

O cardiologista Dr. Stephen Sinatra disse que mandava rotineiramente seus pacientes baixarem o nível de colesterol com remédios. Mas agora, ele admite que estava errado:

“Eu costumava ser o garoto propaganda dos laboratórios farmacêuticos. E, quando eu era o chefe do departamento de cardiologia, eu prescrevia estatinas o tempo todo. Eu realmente acreditava na teoria do colesterol para doença cardíaca. Eu comecei a ficar cético em relação à teoria nos anos de 1980. Eu fazia os cateterismos cardíacos. As vezes eu fazia o cateterismo em uma pessoa com colesterol alto pensando que iria encontrar um monte de doença e, muitas vezes, não achava nada. E o inverso era verdadeiro. Eu examinava alguém com colesterol bem baixo e, embora eu esperava não encontrar doença, eu encontrava. Então comecei a pensar: Talvez o colesterol não seja o inimigo que pensamos que ele é.”

Atualmente as melhores evidências para reduzir o risco cardiovascular promovendo saúde são: substituir a alimentação industrial, transformada e artificial, por alimentos frescos pouco cozinhados, se possível orgânicos, cultivados localmente; três tipos de dietas apresentam bom desfechos para a prevenção: aderir à dieta vegetariana, à dieta mediterrânea, ou à dieta paleo com restrição de carboidratos, aumentar o consumo de gorduras boas para a saúde como o abacate, peixes gordos, ovos, gordura de noz, de coco, nozes, amêndoas, avelãs e azeite, de forma que a razão entre o ômega 3 e o ômega 6 se situe entre 1/1 e 1/5 (e não 1/20 como acontece com a atual alimentação ocidental), otimizar a ingestão de verduras e legumes. Monitorar a taxa de vitamina D optando pela exposição ao sol, conseguindo níveis ótimos com uma exposição de 20 minutos em pelo menos ¾ partes do corpo, parar de fumar e de ingerir bebida alcoólica, fazer exercício físico regularmente, cuidar da higiene bucal e dentária, pois as pessoas com má higiene bucal têm 70% de risco de desenvolver uma doença cardíaca em contraponto com as pessoas que lavam os dentes pelo menos duas vezes por dia, evitar as estatinas (salvo no caso da hipercolesterolemia familiar ou elevado risco cardiovascular pelos Escore de Risco de Framingham e a V Diretriz Brasileira de Dislipidemia e Prevenção da Aterosclerose, além de um completo raciocínio clínico), que fazem baixar as taxas de colesterol artificialmente, de forma passiva, mas com o risco de numerosos efeitos indesejáveis. Melhorar a sensibilidade à insulina – para tal optar por um regime com índice glicêmico baixo. Manter em níveis ótimos os componentes endocrinológicos do organismo (alteração da função da tireoide pode causar elevação dos níveis de colesterol). Manter uma boa qualidade de sono e evitar elevados níveis de estresse e carga de trabalho. Lembrando também da importância da perda de peso para reduzir o risco cardiovascular, a perda de peso é obtida seguindo as orientações acima.

É importante lembrar que o colesterol é uma molécula natural produzida em grande parte pelo organismo, principalmente pelo fígado, a minoria provêm dos alimentos, ele é tão importante que TODAS as células do organismo são capazes de fabricá-lo.

O colesterol é utilizado como um verdadeiro cimento: ao nível dos músculos, para os reparar quando estão fragilizados após o exercício físico; ao nível do cérebro, para ajudar os neurônios a melhor comunicação entre si (são componentes da bainha de mielina que revestem os neurônios); ao nível das artérias, para as reparar os danos quando são lesadas. Ele é uma das substâncias mais importantes, indispensável à regeneração das células e à formação das suas membranas (é componente da membrana celular), à metabolização de vitaminas como a A, D, E e K, à produção de ácidos biliares importantes na digestão das gorduras, essencial para o cérebro (contém cerca de 25 % de todo o colesterol do corpo, sendo crítico na formação das sinapses que permitem o pensamento, a aprendizagem e a formação da memória) como à síntese de hormônios tão vitais para a nossa existência como os hormônios do stress (glicocorticóides como o cortisol) e os hormonas sexuais – testosterona (que proporciona o vigor físico e força muscular), progesterona e estrogênio (alguns autores consideram que ter taxas de colesterol elevado a partir dos 65 anos é sinal de longa vida e de virilidade).

Portanto, o médico ambulatorial trabalha com probabilidades, cada paciente tem um estadiamento diferente e individual de risco cardiovascular, e todo medicamento alopático trás efeitos adversos e efeitos benéficos, resta ao profissional médico balancear os riscos e benefícios no caso de cada paciente, realizando a prevenção quaternária (prevenção da iatrogenia, prevenção da prevenção inapropriada, do excesso de medicação que pode causas mais danos do que a própria doença), e após o complexo raciocínio envolvendo todas as variáveis de benefícios e efeitos adversos ao se prescrever estatina, lembrando que os estudos mais recentes apontam para o açúcar e farináceos como fatores causais possivelmente mais fortes para evento cardiovascular do que o próprio colesterol, devido ao estresse oxidativo crônico que o açúcar e farináceos causam no endotélio vascular, o médico bem treinado estará apto a realizar a melhor conduta de proteção para seu paciente.

Autor: Prof. Dr. Lucas Franco Pacheco, Médico com título de especialista em Homeopatia pela AMHB-AMB.

site: www.doutorlucashomeopatia.com.br


6 comments

  1. Adilson Mantovani
    19 de setembro de 2016 at 22:38

    Boa noite…
    Muito esclarecedor esses artigos.

    Muito bom.

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  2. Lucilene v.m.lamas
    30 de outubro de 2016 at 18:34

    Obrigada doutores .Após artigos ,fiquei mais esclarecida quanto aos mitos que nos rodeiam.É oque o Sr.disse ai,devemos cuidar da alimentação,fazer exercícios físicos regularmente ,evitar certos alimentos etc . . Procuro no meu dia a dia ,a me policiar quanto a isto .Muito obrigada pela tao valiosa orientacao. Um abraço

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  3. Adriana Guimbard
    12 de dezembro de 2016 at 17:37

    Parabéns dr, Lucas por não se contentar nem se acomodar com as “verdades” estabelecidas. Obrigada pelo excelente artigo.

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  4. Iris M Motta
    13 de dezembro de 2016 at 13:46

    Adorei.Parabèns Dr. Lucas. Todo mundo deveria ler esse artigo.

    Reply
  5. Iris M. Motta
    13 de dezembro de 2016 at 14:31

    Todas as pessoas deveriam ler esse artigo. Parabéns Lucas. You are great

    Reply
  6. Ana Lúcia Magela
    10 de Janeiro de 2017 at 17:02

    Muito esclarecedor o artigo e também didático. Vou suspender a estatina e daqui a dois meses, ao retornar para consulta, podemos conferir os resultados. Muito grata

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