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Racionalidades médicas científicas da medicina integrativa

Existem atualmente racionalidades médicas científicas sendo praticadas pelos profissionais médicos e com cada vez mais procura pelos pacientes, sendo a Homeopatia, a Medicina Antroposófica, a Acupuntura/Medicina Tradicional homeChinesa -MTC reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina- CFM e Associação Médica Brasileira – AMB. O que elas tem em comum e quais são os principais pontos de inserção no novo paradigma da Medicina integrativa?

Elas tem em comum o movimento de recusa da massificação e uniformização crescentes da medicina ortodoxa baseada em protocolos, em que a padronização faz com que todos tenham o mesmo tratamento embora sejam indivíduos que sofrem e apresentam sintomas peculiares de formas diferentes, cada pessoa que busca uma ajuda médica tem sua biografia que a individualiza e a torna especial.

Estes praticantes possuem uma tendência em recusa aos moldes modernos de consumo, competitividade, agressividade, individualismo, tecnologias pesadas. Em geral, estes praticantes da medicina integrativa aumentam sua percepção de mundo, da relação saúde-doença, passam a ter o auto-cuidado apoiado e a serem agentes promotores de saúde, cujo corolário é a reivindicação de uma simplicidade e a revalorização da vida, da relação interpessoal, o respeito à natureza, e costuma aderir à práticas filosóficas de enriquecimento pessoal e espiritual.

Outo ponto importante destas racionalidades médicas é a recusa de uma cultura elitista, a contestação do poder nas relações hierárquicas. Estes profissionais são considerados marginalizados em oposição ao núcleo duro e impenetrável das sociedades médicas ortodoxas, que por desconhecimento é gerado um preconceito e isto cria uma distinção na subjetividade médica ortodoxa de que eles estão em nível hierárquico diferenciado das demais racionalidades médicas. Esta cultura elitista da classe médica ortodoxa é fator de contestação por parte dos médicos praticantes das racionalidades médicas integrativas.

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A recusa de uma medicina ortodoxa puramente racional e intelectualizada também é outro fator importante de embate entre as racionalidades.

A não aceitação de uma sociedade com vínculos meramente embasados na relação de consumo, que produz distinção social ao invés de justiça social, a medicina e a indústria farmacêutica com a capacidade de criar uma relação capitalista com intenções de lucro em detrimento da saúde do paciente, são fortes fatores de recusas por parte dos profissionais das práticas integrativas.

As racionalidades médicas integrativas exigem a arte da individualização, em oposição ao anonimato, objetividade e, principalmente, da transformação da ação com autoexpressão médica em mero labor, técnicas e produtos padronizados, característicos de linha de produção, que tem levado muitos praticantes da medicina ortodoxa à situações escravizantes, com vidas profissionais menos satisfatórias e com profunda perda da expressão que a medicina pode nos dar.

A recusa de uma medicina puramente estética sem bom senso ou verdadeira necessidade, que de forma cada vez mais afastada dos princípios hipocráticos, faz intervenções médicas com intenções de modificações em favor de uma exigência de beleza, muitas vezes em detrimento da saúde, em situações que a expectativa do paciente é fomentada por uma cultura de padronização da estética. O médico das práticas integrativas tem outra abordagem, outros valores, estimula o paciente a aumentar sua percepção, e esse aumento de percepção gera uma crise, essa crise faz com que o paciente avance um passo em direção ao autoconhecimento e faça uma reflexão do que realmente é necessário e passa, então, a tomar decisões a seu favor, com atitudes de mais simplicidade valorizando aspectos mais profundos de sua existência.

As práticas integrativas presam pela prevenção quaternária, visam detectar indivíduos com sobretratamento (overmedicaliation), de forma a protege-los do intervencionismo médico inadequado, prevenir os pacientes do marketing do medo que visam sobrestimar situações patológicas da população em que visa alargar o mercado de consumidores, medicalizando fatores de risco, de cunho puramente mercantilista. O médico da racionalidade integrativa busca, acima de tudo, aumentar a qualidade do ato médico com utilização eficiente dos métodos diagnósticos e terapêuticos disponíveis, através do equilíbrio entre a gestão da incerteza diagnóstica e a limitação dos riscos terapêuticos, prevenir a iatrogenia evitando o excesso de intervencionismo médico, associado a atos médicos desnecessários ou injustificáveis.

Portanto, as Racionalidades médicas científicas da medicina integrativa tem uma função paradigmática de recuperação da individualidade, autonomia e participação daquele que busca ajuda, integrando o paciente com seu mundo, com existência de poder compartilhada entre o médico e o paciente, equilíbrio entre o objetivo e o subjetivo, um encontro entre corpo, mente e espírito, com recusa do mercantilismo, medicalização excessiva e o reducionismo da pessoa a um simples caso de doença.

Autor: Dr. Lucas Franco Pacheco, Médico com título de especialista em Homeopatia pela AMHB-AMB.

site: www.doutorlucashomeopatia.com.br



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